Senhora, de José de Alencar (1837)

Aurélia, uma moça pobre e órfã, recebe uma grande herança de um parente distante e se torna milionária. Muitos pretendentes a cortejam com grande interesse pela sua fortuna, relevando até mesmo a personalidade orgulhosa e os comentários debochados da mulher. Porém, Aurélia já sabe com quem irá se casar e pretende pagar o quanto for preciso para isso.
Um romance de época com uma heroína inteligente e de língua afiada. O narrador é do tipo fofoqueiro e faz várias observações críticas à sociedade carioca aristocrática da época. Os diálogos são o ponto alto, com trocas profundas, sagazes e divertidas entre os personagens. Ao autor, dou todo o mérito por representar uma jovem moça com muita fidelidade ao gênero, não a limitando a um perfil raso, mas apresentando, através dos pensamentos e atitudes, as camadas de uma mulher.
O desfecho não me agrada por completo, mas o compreendo e acredito que possa ser debatido a fim de conhecer as percepções que outros leitores possam ter da trama, que é de difícil análise devido ao caráter subjetivo e contextual das situações em que os personagens centrais foram alvo de sofrimento.
