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Memórias de um sargento de milícias

Memórias de um sargento de milícias (1852-1853)

Manuel Antônio de Almeida 

A obra narra a história de Leonardo, um menino travesso que se torna mais tarde um homem malandro e vadio. Acompanhamos desde a primeira interação de seus pais até sua vida adulta, escapando das mais diversas situações complicadas que ele mesmo se coloca. Ambientado no Rio de Janeiro do começo do século XIX, temos nesta história vários relatos e descrições dessa época. 

Esta história não é, nem de longe, a melhor que li ou vou ler na minha vida. E isso é impressionante. Ela foi escrita de forma questionável — algumas partes ditadas na hora de ser impresso o jornal — e sua narrativa é irregular até o final. Para um rapaz de 20 anos que tinha de trabalhar para sustentar sua família e que decidiu escrever no jornal em que trabalhava, Manuel não tinha nenhuma grande aposta de que sua escrita iria mudar a literatura brasileira. Talvez tenha sido por isso que se sentiu tão à vontade para escrever o que queria: o Brasil de seu tempo. 

Apesar de todas as críticas que podem ser feitas à história, ela é cativante, bem-humorada e apresenta personagens urbanos, que viviam seus grandes momentos no cotidiano, nos quais reconhecemos muitos dos que passam em nossas próprias vidas. Diferente de tudo o que era publicado na época, Manuel escreveu sobre parideiras, barbeiros, ciganos, benzedores, violeiros e outros que não tinham espaço na literatura romântica tão em alta. Leonardo, o “primeiro malandro”, pode não ser tão carismático quanto outros que virão, mas estreia a categoria. 

Esta obra, portanto, possui um valor muito grande para nossa nação e para o ofício do escritor. Ela influenciou gerações de escritores, servindo de inspiração e referência para criações cada vez mais primorosas. Manuel Antônio de Almeida, mesmo não tendo reconhecimento em sua breve vida, se interessava por aquilo que não parecia interessante, e foi isso que o eternizou.

Manuel Antônio de Almeida (1831-1861)

Nascido no Rio de Janeiro, Manuel Antônio ficou órfão de pai aos 10 anos e de mãe, aos 20. No mesmo ano em que perdeu sua mãe, começou a trabalhar de redator no jornal Correio Mercantil; neste, sem indicar sua autoria, Manuel publicou os folhetins que constituiriam Memórias de um Sargento de Milícias, seu primeiro e único romance.  

Em 1854, o autor custeou a publicação da obra completa e assinou como Um Brasileiro. Apesar do valor de venda baixo e das ofertas no jornal, o romance não teve grande venda e muitas cópias foram “devoradas pelos ratos”, segundo Ruy Castro.

Em 1858, foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, atual Imprensa Nacional. Ali possuía um ajudante de tipografia, Joaquim Maria Machado de Assis, do qual se afeiçoou e ajudou a permanecer no emprego. Em 1861, Manuel foi nomeado 2º Oficial da Secretaria da Fazenda e, ainda sustentando a si e suas irmãs, se candidatou à Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. 

Em 1861, aos 30 anos, em seu primeiro ato de campanha, viajou para o norte do estado no barco a vapor Hermes com cerca de 90 pessoas a bordo. O fundo do casco foi danificado numa parte do trajeto e o navio começou a naufragar. Após o resgate, 37 pessoas haviam morrido. Entre elas estava Manuel Antônio de Almeida.

Um ano após sua morte, Quintino Bocaiuva e Machado de Assis editaram e publicaram uma nova versão de Memórias de Um Sargento de Milícias, indicando pela primeira vez o nome de seu autor. Esses e outros amigos de Manuel ajudaram a manter vivo seu nome, citando o autor em várias ocasiões.

Eva

Linguista, revisora e copywriter

Eva

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